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O MÊS DA BÍBLIA

 

Setembro é o mês da Bíblia. Comemorando neste ano o cinquentenário dessa instituição na Igreja do Brasil, teremos ocasião para refletir sobre a Palavra de Deus escrita para nosso bem.

Segundo o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, “celebrar o cinquentenário do Mês da Bíblia significa para toda nossa Igreja no Brasil o primado da Palavra de Deus”. Que “o anúncio da Palavra de Deus se torne, portanto, nesse caminho do Mês da Bíblia, a reafirmação do compromisso e a efetivação da missão de colocar a Palavra de Deus em primeiro lugar na vida da Igreja, na vida da família, na vida da comunidade de fé e na vida pessoal de cada um de nós”.

O livro proposto para estudo neste cinquentenário do Mês da Bíblia, é a Carta de São Paulo aos Gálatas, com o lema “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3, 28).

“A Palavra de Deus é viva, não morre nem envelhece, permanece para sempre. Está viva e dá vida. A Palavra, de fato, traz ao mundo o respiro de Deus, infunde no coração o calor do Senhor através do sopro do Espírito. A pregação não é um exercício de retórica e nem mesmo um conjunto de sábias noções humanas: seria somente lenha. É ao invés compartilha do Espírito, da Palavra divina que tocou o coração do pregador, o qual comunica aquele calor, aquela unção. Seria belo que a Palavra de Deus se tornasse sempre mais o coração de toda atividade eclesial” (Papa Francisco, 17/9/2020).

É de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos, a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”.

O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).

A Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam.  A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes, em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.

Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.

A Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Pd 3, 16).

O cristianismo é a religião da Palavra de Deus.

 

        *Bispo da Administração Apostólica Pessoal

                                                                         São João Maria Vianney

                                                                         http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

 

 

 

 

 

A PARTE BOA

     “O Reino dos Céus [a Igreja] é como uma rede lançada ao mar e que contém peixes de todo tipo, bons e maus” (cf. Mt 13, 47 e ss). A separação só acontecerá no fim do mundo!
A Igreja é divina e humana. Divina nos seus ensinamentos, na sua graça, pela presença contínua prometida e cumprida do seu divino fundador e pela assistência eficaz do Divino Espírito Santo. Humana nos seus membros, nós, fracos e pecadores, que muitas vezes não seguimos corretamente os seus ensinamentos. Os inimigos da Igreja, quando querem ataca-la, procuram ressaltar a sua parte humana, fraca e pecadora, e suas fraquezas histórias. Mas, umas das provas da parte divina da Igreja são os santos, frutos da graça do Divino Espírito Santo.
Certa vez, um ateu refletia: “vocês, católicos, são extraordinários: vocês têm um São Francisco de Assis, um São Bento, uma Madre Teresa de Calcutá, um João Paulo II, todos com sua personalidade forte e grande liderança, e nenhum desses fundou uma igreja para si, todos são da Igreja Católica!”.  
Verdadeiramente uma das coisas que mais causam admiração na Igreja é sua extraordinária unidade em uma grande diversidade de carismas e formas de santidade. Esse imenso conjunto de pessoas, humanas como nós, que deram grande exemplo de bravura, amor, fortaleza e heroísmo, são a maior demonstração da beleza e santidade da Igreja. A Igreja tem seus doutores, seus grandes historiadores, cientistas, oradores, filósofos e teólogos. Mas sua força e verdadeira beleza são os santos.
Assim temos o heroísmo jovem de Santa Inês, Santa Cecília, Santa Maria Goretti e, entre nós, a beata Albertina Berkenbrock. O amor apaixonado de Santo Agostinho, o espirito decidido de São Bento, a pobreza de São Francisco, a doutrina de São Domingos, a ciência de Santo Tomás de Aquino, a alegria de São Filipe Neri, o zelo de Santo Inácio, a vida interior de Santa Teresa, a simplicidade de Santa Teresinha, a mansidão de São Francisco de Sales, a caridade abnegada de São José Moscati, o heroísmo catequético do Beato José de Anchieta, o amor aos pobres de São Vicente de Paulo, a caridade serviçal da Beata Madre Teresa de Calcutá e da Beata Irmã Dulce dos Pobres, a fortaleza de Santa Gianna Beretta Molla, e muitíssimos outros testemunhos da santidade, beleza, sublimidade e divindade da Igreja.  
Quando alguém quiser ressaltar a “banda podre” da Igreja, da sua parte humana, contraponha-lhe a parte boa, os santos. Esses realmente são os que representam a Igreja. Esses são os verdadeiros católicos, discípulos de Cristo e da sua Igreja, frutos da graça de Deus, exemplo para todos nós.
E que honra para nós sermos irmãos de tantos santos, já que somos filhos da Igreja! Somos da mesma família. Temos crédito nos seus méritos, pela comunhão dos santos, ou seja, a intercomunicação de graças e méritos que existe nessa sociedade de bens espirituais, que começa na terra e resplandece no céu.