Hoje celebramos a solenidade
da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, ou seja, honramos o privilégio
singular concedido por Deus à Virgem Maria preservando-a da herança do pecado
original, por ter sido a escolhida para a Mãe do Filho de Deus encarnado. Por
ser um importante dogma da nossa Fé, tem uma comemoração especialíssima no
calendário católico.
A doutrina do pecado original foi bem explicada por São Paulo: “Por
meio de um só homem o pecado entrou no mundo,...” (Rm 5,12). “Pela desobediência de um só homem, todos se
tornaram pecadores” (Rm 5,19). E chegamos à doutrina da Redenção, também ensinada
pelo Apóstolo: “Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os
homens, assim também da obra de justiça de um só (Cristo), resultou para todos
os homens a justificação que traz a vida” (Rm 5,18).
Este pecado original, em Adão uma falta voluntária, nos outros homens
se constitui na privação da graça divina, que havia sido concedida a toda a
humanidade na pessoa do primeiro homem. A graça, por ele perdida para si e para
todos os seus descendentes, foi recuperada pelo segundo Adão, Jesus Cristo,
pela sua Redenção, que nos alcança através do Batismo.
Ora, Deus havia prometido, no momento do pecado de Adão, que uma mulher
com o seu filho, o futuro Salvador, venceria completamente o demônio. Não
teria, pois, nenhum pecado. Não teria, em nenhum instante, a menor privação da
graça divina.
Por isso, essa mulher especial, Maria, escolhida para a Mãe do
Redentor, foi saudada pelo Anjo mensageiro de Deus com as palavras: “Ave, ó
cheia de graça..., bendita entre as mulheres”, portanto, sem pecado. A Redenção
de Cristo a atingiu, de modo preventivo, preservando-a, por privilégio único,
do pecado que atinge a todos os homens.
É esse, pois, o dogma da Imaculada Conceição, que celebramos: Maria, desde
a sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista
dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada de toda
mancha do pecado original.
A Imaculada Conceição de Maria tem muito a ver com o Brasil. Em 1646, o
Rei Dom João IV, reunido com as Cortes gerais do Reino, consagrou a Nossa
Senhora da Conceição Portugal e todos os seus domínios, nos quais estava
incluído o Brasil, ainda dependente da nação portuguesa. Em 1717, ocorreu a
milagrosa pesca da Imagem de Nossa Senhora da Conceição, por três pescadores,
imagem que começou logo a ser intitulada de “Nossa Senhora da Conceição
Aparecida”, fonte de muitas bênçãos para a nossa pátria. Em 1904, a Imagem da Aparecida foi solenemente coroada,
por mandado do Papa São Pio X, com uma coroa de ouro cravejada de 40 brilhantes
que lhe fora oferecida pela Princesa Isabel. E em 1930, atendendo a uma
solicitação do Episcopado Brasileiro, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora da
Conceição Aparecida Padroeira Principal do Brasil, proclamação essa
oficialmente ratificada pelo governo brasileiro da época.
Hoje, de modo
especial, quando o Papa Francisco abre a Porta Santa e inaugura o Ano Jubilar
da Misericórdia, saudamos nossa Rainha Imaculada como Mãe de Misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa. Salve!